segunda-feira, 20 de Novembro de 2017

 
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Passageiros & Mobilidade
20-10-2017

De patinho feio, a patinho bonito
É sabido que o transporte individual é o modo dominante na cadeia de mobilidade, ocupando em muitas cidades um lugar preponderante e em muitas realidades a opção mais lógica na deslocação das pessoas. Os impactos negativos desta preponderância são conhecidos, estão identificados, mensurados e as consequências, por todos conhecidas, levaram a políticas de mitigação de danos ou a medidas de ordenamento e controle do seu uso. Várias foram as fórmulas usadas e várias foram as regras aplicadas, sempre com o objetivo de travar o crescimento desta realidade e os impactos negativos nos diversos domínios.

Muitos Estados, Governos e Cidades descuraram a tomada de medidas que promovessem e conferissem ao transporte coletivo e público o papel que deveriam ter - como solução credível e eficaz para a deslocação das pessoas - tornando estes modos como alternativa e reforço das medidas de controlo do uso do transporte individual. Com o passar dos tempos, o automóvel ganhou o estatuto de principal inimigo do transporte público, tornando-se o patinho feio da mobilidade.

Abrindo um parêntesis neste texto, recordo que no 2º Encontro Transportes em Revista, em 2003, curiosamente no ano em que foi criada a legislação que permitiu a criação das Comunidades Intermunicipais, convidei o setor automóvel a estar presente, como orador num dos painéis de debate. Era minha intenção envolver o automóvel na reflexão dos temas da mobilidade e dos transportes. Desde logo o convite foi acolhido com simpatia e entusiasmo, mas para meu espanto, recebi, do setor dos transportes, comentários e reações negativas quanto à presença “do inimigo”, ainda por cima numa conferencia sobre transportes públicos. Sinais dos tempos! Fechado o parêntesis, retomo o texto. Tempos houve, em que as pessoas eram vistas como utentes ou utilizadores, tendo passado mais tarde para o estatuto de clientes.

Este salto representou uma evolução e teve impacto nas organizações e nos prestadores de serviços. Mas hoje o campeonato é outro. Fruto de novas realidades, os clientes são hoje encarados como consumidores e as suas necessidades como características do mercado. Hoje, mais do que nunca, são as necessidades e anseios do consumidor que determinam a tipologia da oferta. Mas mais do que isso. Hoje é o mercado e os seus segmentos que determinam a tipologia dos serviços, a sua acessibilidade, o nível de qualidade e, claro, o preço que está disponível para pagar. Não há outra forma de jogar o jogo do consumidor que não seja esta. E quem não quiser jogar, o futuro do seu negócio será, sendo otimista, de nicho.

Curioso mesmo, é que o antigo patinho feio da mobilidade é aquele que hoje apresenta soluções inovadoras e serviços criativos, novas abordagens e novos modelos de negócio, que vão ao encontro do que os consumidores precisam, desejam e querem.

De patinho feio, percorrem hoje o caminho para se tornarem, a breve trecho, patinho bonito, sendo que existe o risco do anterior titulo ser transferido para os que até agora se assumiam como especialistas no transporte de pessoas. Será mesmo assim?

por José Monteiro Limão
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