terça-feira, 26 de Setembro de 2017

 
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21-08-2017

Carinhos e Afetos
Desiludam-se aqueles que pensam que a vida é apenas carinhos, afetos, palavrinhas mansas e palmadinhas nas costas. Estou triste. Morreu muita gente e gente muito boa.

Não posso deixar passar em claro a tragédia que se abateu em Portugal no fim-de-semana de 17/18 de Junho de 2017. Isto porque entendo que estamos perante uma situação que já se encontrava anunciada há muito tempo, pois há quanto tempo ouvimos esta discussão estéril acerca da desgraçada temática dos incêndios em Portugal.

A nossa infelicidade é que ninguém vai dar um passo sequer para provocar instabilidade neste circuito, que vai até ao limite da recolha de muitos votos e de muitos euros, para (alguns) poucos. E, mais uma vez comentamos, depois da “casa arrumada”, como se fosse possível “arrumar” uma tragédia destas, logo veremos o que é que se vai fazer.

No meio destas hediondas noticias, estava, por esta altura do calendário, nalguns momentos de lazer e, já farto de tanta desgraça, não é que me passou pela cabeça reler alguns artigos, já escritos em 2012?

Sem qualquer ligação aparente entre fogos e ferrovia, há pelo menos um elemento comum. A discussão estéril acerca de ambos. Ou seja, “falam, falam e não os vejo a fazer nada”, nomeadamente, acerca da necessidade fundamental de adequar as infraestruturas ao presente Estado da Arte.

Pois é, lá saiu mais um adiantamento no lançamento de um concurso para uma obra que se considera fundamental para a Economia nacional. Não é precisamente o mesmo que tem acontecido com as nossas matas? Com o reordenamento do território? Com a desertificação? Com o ciclo vicioso dos incêndios? Com o encerramento de linhas? Com as constantes supressões de serviços ferroviários? Claro que sim! Digo eu, é claro!

Esta frustração só é comparável à inação que se tem vivido. Como alguém dizia acerca da ferrovia em Portugal, “…a inércia que faz parar os comboios é a mesma que os faz andar”. Perdoem-me a frontalidade, mas, a inércia do “fogo” é a mesma que o faz arder.

O País considera que o Estado está perdido, em termos psicológicos, afirma o Sr. Presidente, “carecido de afeto”, pois quando iniciou o seu mandato considerou que, o “universo dos afetos e carinhos” trouxeram “uma viragem política fundamental” - a sério? “A mera viragem psicológica, que passou pelo universo dos afetos, foi uma viragem política fundamental.” A sério, Sr. Presidente? Aliás, defendeu ainda, que “hoje é impossível fazer política na base apenas da cabeça”, acrescentando que “há políticos que entendem que é assim”, mas “não estão a ver toda a realidade da política”, - porque se estivessem, tudo isto não passava de uma fantochada. Pois, mas não é (foi) uma fantochada é (foi) uma triste realidade.

Entretanto o Sr. Presidente da República sustentou que se deu uma “viragem psicológica, que passou pelo universo dos afetos”, e que hoje “é impossível fazer política na base apenas da cabeça”, contudo “…o relacionamento na política é um relacionamento entre pessoas. Se as pessoas se dão bem, é meio caminho andado.”

Xiça, pá, estão à espera de quê para se darem bem?
Meus senhores, enquanto alguns gostam de fazer acontecer, outros apenas gostam de ver acontecer. É fundamental transformar esta atitude e vamos todos fazer o que é preciso, unindo esforços, esquecendo diferenças e olhar para o futuro de Portugal, agindo em vez de reagir e sem esperar mais acidentes/incêndios.

Estou triste. Morreu muita gente e gente muito boa.

Os afetos e carinhos são mais necessários que nunca, mas há alturas em que temos de mandar para trás das costas as palavras mansas e as palmadinhas nas costas. Ou acham que o ideal para Portugal, no outro momento, neste momento e num futuro momento, é que tudo isto dure e tenha sucesso.

Não querem fazer desta desgraça o ultimo acontecimento do resto da nossa vida coletiva?

por António Nabo Martins
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Comentários
31-08-2017 18:35:59 por Anabela Soares
Muita verdade, assino por baixo.
  
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