quarta-feira, 22 de Novembro de 2017

 
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Carga & Mercadorias
21-08-2017

Um País não se mede aos palmos
É sabido que a dimensão do mercado nacional apresenta características que dificultam o crescimento do transporte e distribuição de mercadorias. Seja pelo facto de sermos uma região periférica no contexto europeu, seja pela reduzida expressão da nossa industria e economia ou até mesmo pela extensão do território nacional.

No entanto existem oportunidades que convém não desperdiçar, alienar ou minimizar.

A nossa localização geoestratégica confere-nos uma centralidade mundial face aos fluxos de mercadorias mundiais, com particular incidência para as mercadorias destinadas ao continente europeu e deste para o resto do mundo.

Esta oportunidade que não é, de todo, despiciente, obriga-nos a estratégias concertadas, alinhadas e, algumas delas, através de abordagens suportadas em parcerias entre agentes económicos, modos de transporte, outras atividades complementares, entidades do Estado e até de instituições regionais e locais, onde a todas elas se exige um posicionamento próativo seja no estabelecimento de pontes entre interesses, seja em processos de agilização e facilitação.

Parece difícil que isso aconteça, sendo que a dificuldade está muitas vezes na incapacidade de identificarmos vantagens comuns, pois é mais fácil e mais rápido realçarmos as diferenças que nos divide. E sabendo da nossa propensão em destacar e dar expressão às diferenças, tomamos a decisão de, por essa razão, achar que é impossível fazer diferente.

São duas formas de encararmos as oportunidades, sendo que a segunda é imediata e nada resolve e a primeira é mais lenta e mais trabalhosa, mas que pode aportar valor, garantir maior crescimento e sobretudo abrir novas perspetivas de negócio para todos.

O tema da recente conferência Nó Ferroviário da Guarda: Distribuição & Logística, que recentemente teve lugar na Guarda, onde se abordou o potencial desta cidade se afirmar como um polo de distribuição de mercadorias, tirando partido dos investimentos previstos na linha ferroviária da Beira Baixa/Beira Alta e da existência da plataforma logística existente, demonstrou o pouco alcance que abordagens tradicionais e baseadas em individualismos trazem e provou as vantagens que uma abordagem conjunta podem proporcionar, tendo sido reconhecido por todos os presentes a existência de potencial de negócio que a realidade atual confere e que a atualidade futura poderá significar.

Esta conferência veio provar que existem oportunidades que promovem o crescimento, mas que estas só poderão ser efetivas e reais se baseadas em parcerias conjuntas entre agentes económicos e as várias entidades.

Todos sabemos que por esse País fora existem outras oportunidades de negócio e de localizações potenciais onde o valor económico pode ser captado por empresas e entidades, bastando para tal que haja uma vontade genuína de conjugação de esforços que possibilite o crescimento de todos.

A dimensão territorial e a desertificação do território não podem servir de desculpas e razões para que não haja mais economia. Tal como o problema dos incêndios que incompreensivelmente assolam o país, não se resolvem apenas com água, a desertificação que assistimos nas últimas décadas resolve-se com mais economia e mais emprego.

Um País não se mede aos palmos, mas sim pela capacidade de aproveitar bem todas as oportunidades que nele existem.

por José Monteiro Limão
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Comentários
30-08-2017 10:52:50 por Mário C Macedo
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