sexta-feira, 23 de Junho de 2017

 
Carga & Mercadorias
26-05-2017

Lo Papa e Santa Engrácia chegam a Portugal
“Once upon a time a little criancinha was born in Portugal”. Seu nome Linha do Norte que teve como madrinha, a Santa Engrácia. Lo Papa vem ao centenário das aparições de Fátima e a Santa Engrácia vem acabar as obras.

O crescimento natural que qualquer “criancinha” tem é o desenvolvimento, a evolução e adaptação às novas realidades que se lhe apresentam, com a normalidade normal das coisas normais. A Linha do Norte, padece de uma enfermidade complicada, pois no decorrer do seu desenvolvimento, a sua madrinha tem intervindo de uma forma muito incisiva e daí ser hoje conhecida por obras de Santa Engrácia. Como qualquer doença sem o tratamento devido, espalhou-se, desenvolveu-se, cresceu e atingiu uma parte relevante da família, as suas “primas” B. Alta, Sines, Minho, B. Baixa, enfim…, “no more coments”.

E agora meu DEUS?, Agora que vem aí o Papa, nada está feito.
Lá estamos nós mais uma vez a apelar à graça divina.

O Governo português arregaça as mangas, vai à “Igreja” e manda a IP ir falar com a Santa Engrácia e, agora é que vai ser. Primeiro anuncia “…a estruturação do Corredor Internacional Sul - que ligará de forma mais eficiente os portos de Sines, Lisboa e Setúbal a Espanha -, com o lançamento da empreitada de modernização do troço da Linha, entre Elvas e a Fronteira.”

Eh pá, eram só 70 Km? Tantos anos de espera porquê? Hum!... estou desconfiado que devem ser mais uns quantos… ou então aqui há coisa…?

E havia. Então não é que “…pela nova linha (desde Sines) até ao Poceirão, as 4700 poderão rebocar 1.400 toneladas sozinhas, um aumento de 35% na produtividade e que se repercutirá de forma muito relevante nos custos unitários. O incremento de capacidade que esta solução aporta não é desprezável, já que passará a existir uma virtual via dupla entre Sines e o Poceirão, usando a nova linha de Sines, a velha linha de Sines, a variante de Alcácer e a linha do Sul. Entre Sines e Badajoz serão poupadas mais de três horas de trajeto para as mercadorias e será usada apenas tração eléctrica em vez da combinação eléctrica + diesel.”

O Ministro Pedro Marques fala em «momento histórico», referindo que “a ligação ferroviária de Sines à fronteira é um projeto demasiado importante para que nos possamos dar ao luxo de o adiar outra vez e isso não acontecerá com este Governo e, pelo menos comigo…”. Excelentes notícias, digo eu, inclusivamente corroboradas pelo ministro espanhol, Iñigo de la Serna que “…considera fundamental a ligação ferroviária entre os Portos nacionais (nomeadamente Sines ou Lisboa) e Madrid… para tentar favorecer essa saída das mercadorias para a Europa através de Espanha”.

Agora é que isto vai, pensava eu absorto nos meus mais profundos pensamentos, sentindo-me até possuído por uma adorável sensação de calma, pois estas palavras seduziram-me o espírito enchendo-me inclusivamente o corpo de uma vitalidade estranha, quando me chega às mãos um excerto do jornal (ver imagem) que me chama a atenção, apesar do meu “Portunhol”, especialmente para (atentem na frase sublinhada a vermelho).

Um ameno silêncio toma conta de mim e me faz estremecer. O tempo soalheiro deste Domingo volta a ser frio e tudo se contrai novamente. Ouço o silvar das 4700 [por sinal eléctricas] a rebocar mais 2000/ton. de carvão ao longe, que faz com que as minhas lembranças regurgitem novamente os meus mais temerosos e ignorados devaneios, avisando-me que os meus sonhos, tantas vezes sonhados, poderão continuar a ser só sonhos.

Xiça, então não vão electrificar?
Seguramente que esta aparente contradição, não passa de uma interpretação muito descuidada da minha parte, do que tenho visto escrito e ouvido, mas, julgo que era muito importante esclarecer como isto tudo se irá articular, nomeadamente na relação Portugal/Espanha.

Os melhores sonhos de todos são aqueles que nos põem a pensar, a fazer e a inquietar, no essencial são estes que comandam a vida. Pouco mais me resta do que continuar a sonhar e, sonhar que tudo isto não passa de um sonho, mas que desta vez será mesmo para concretizar e deixar de ser sonho.

“Matar o sonho é matarmo-nos. É mutilar a nossa alma. O sonho é o que temos de realmente nosso, de impenetravelmente e inexpugnavelmente nosso.” (Fernando Pessoa).

por António Nabo Martins
 
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Comentários
14-06-2017 11:49:24 por Mário Sousa
Caro Nabo Martins. Lo nunca é usado antes de substantivos. Quem nunca estudou espanhol tem a tendência cometer este erro. Neste caso deveria ter escrito El Papa...
  
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