segunda-feira, 25 de Setembro de 2017

 
CP_2017
Carga & Mercadorias
05-04-2017

Connect Robotics
A “revolução” dos drones já chegou a Portugal
O que há pouco tempo parecia ficção científica hoje já é realidade: os drones já estão a ser utilizados para transporte de encomendas e no Dubai já há planos para transportar pessoas através deste novo meio de transporte.



Já existe uma operadora logística a utilizar drones regularmente e em larga escala no seu processo de distribuição, na China, trata-se da SF Express (utilizando o sistema fornecido pela X-Aircraft). Outras empresas também estão a incorporar essa tecnologia, como a DHL (em parceria com a Micro-drone) na Alemanha; SwissPost (em parceria com a startup Matternet) na Suíça; UkrPoshta (em parceria com a startup Flytrex) na Ucrânia; o grupo DPD (em parceria com a startup Atechsys) na França; a Amazon, no Reino Unido - o caso mais mediático - e a Connect Robotics em Portugal.

A Empresa
A Connect Robotics disputa com grandes empresas internacionais o mercado de distribuição rápida por drones. É a única em Portugal e das poucas no mundo a realizar entregas autónomas além da linha de vista (BVLOS - Beyond Visual Line Of Sight). Oferece uma solução flexível, segura e fiável que se incorpora nos processos de entrega e movimentações de operadores logísticos, empresas de retalho e grandes industriais. A solução consiste em drones dimensionados para a necessidade do cliente, um sistema de controlo e navegação autónomo e uma central de gestão de tráfego.
 
Foi fundada por Eduardo Mendes e Raphael Stanzani em fevereiro de 2015. Eduardo Mendes, Diretor de I&D, é doutorando em Engenharia Eletrotécnica na FEUP, com foco em controlo autónomo de UAVs. Tem 14 anos de experiência profissional no desenvolvimento de sistemas embebidos e distribuídos. Raphael Stanzani, Diretor de Negócio, é Engenheiro de Gestão Industrial pela UFSCar (Brasil) e tem anos de experiência em liderança de projetos de Supply Chain na Procter & Gamble.

A Connect Robotics está instalada no UPTEC, Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto (www.uptec.up.pt). Recebeu apoio do Centro de Incubação de Empresas da Agência Espacial Europeia (ESA BIC Portugal), do projeto europeu FIWARE (através aceleradora SOUL-FI) e do programa de aceleração Building Global Innovators, do MIT-Portugal.

Diferencial
A aposta da empresa está na criação de uma IoD (Internet of Drones), integrando os diversos intervenientes do processo logístico de forma autónoma. Um exemplo disso é o sistema de aprovação de voos: o drone só levanta voo para realizar a entrega após vários componentes da rede darem sua autorização de forma independente. As autorizações necessárias para o voo são:
Módulo de criação de rota: que cria a rota de acordo com informação de tráfego aéreo atual e regulamentação do espaço aéreo;
Módulo climatérico: verifica se as condições climatéricas são seguras para o equipamento a ser utilizado;
Módulo do receptor: um e-mail é enviado ao destinatário da encomenda, que precisa confirmar que está pronto para a receber;
Módulo de emissor: uma interface móvel é utilizada pelo emissor para confirmar que a encomenda foi colocada no drone corretamente;
Drone: este informa automaticamente ao sistema central qual o seu estado atual e conformidade para voo;
Painel Administrativo: todos os voos são exibidos e acompanhados em tempo real através de uma interface web, por onde o administrador pode manualmente aprovar ou rejeitar um voo.

Esse sistema funciona na Cloud, segue padrões europeus e foi concebido com fundos, suporte e tecnologia de IoT (Internet of Things) do projeto FIWARE.

Visão: “On-demand Economy” para todos
A Connect Robotics possibilita a entrega imediata de encomendas a todos, em todos os cantos do mundo, através do serviço de entregas “Drone2.me”. Para que um número ilimitado de drones voe coordenadamente e sem conflitos, a empresa investe no desenvolvimento de tecnologias em duas frentes: um serviço na cloud de controle de tráfego aéreo, chamado UTM (Unmanned aerial systems Traffic Management), para gerar as trajetórias e gerir o tráfego em tempo real; e algoritmos de prevenção de colisão onboard.

Serviço: Drone2.me
Trata-se do serviço de entregas com drone da empresa. Para as pessoas interessadas nos benefícios de receber as suas encomendas por drone, e para os vendedores interessados em entregar os seus produtos por drones, já está disponível no endereço www.drone2.me a ficha para cadastro dos aderentes ao serviço.

A oferta do serviço será feita de acordo com o número de interessados por região, que registaram a morada e local de preferência para o seu drone-porto (este será validado quando do início da operação). Os vendedores podem, de acordo com a oferta, ter um drone dedicado ou partilhado, e a partir daí disponibilizar esse serviço de entrega aos seus clientes. As coordenadas do cliente não são disponibilizadas ao vendedor, mas sim ao drone automaticamente, após autorização do cliente.

Mercado
Consciente das restrições da tecnologia e da ainda imatura regulamentação, a Connect Robotics prepara-se para desenvolver o seu negócio no mercado que mais se adequa ao contexto atual. Trata-se de entregas no “last mile” para regiões de difícil acesso e baixa densidade populacional.

Conforme dados do Pordata, Portugal tem uma população de aproximadamente 10,4 milhões de pessoas, e o agregado familiar é de 2,6 pessoas, em média. Assumindo como “baixa densidade populacional” valores abaixo de 300 pessoas/km2, pode-se enquadrar nessa categoria municípios como Ponta Delgada, Albufeira, Viana do Castelo, Leiria, Viseu, Amarante, Penela, Vila Real, Baião, Tomar, Santarém, entre outros; que representam 44% da população de Portugal, ou cerca de 1,75 milhão de agregados familiares.
É certo que os drones, para já, não conseguem chegar a todo lado devido à duração das baterias. Se forem capazes de alcançar apenas 5% desses agregados familiares, ainda assim seriam 87,5 mil destinos finais para entrega.

Imagine-se que durante um mês, um agregado familiar realize três compras online com entregas por drone, isso representa um volume potencial de negócios de cerca de 15,75 mil milhões de Euros.

Há ainda outras possibilidades de utilização, como os transportes com drone dentro da cadeia de abastecimento do distribuidor logístico, ou seja, uso do drone para levar o pacote de um centro de distribuição para uma loja, para transferências entre centros de distribuição, ou ainda para transferência do pacote entre carrinhas em percursos diferentes.

Caso de Sucesso: Santa Casa de Misericórdia de Penela
No dia 20 de dezembro de 2016, pelas 12h00 horas, a Connect Robotics realizou a primeira demonstração pública de entrega de refeição por drone, em Podentinhos (Penela), em repetição da primeira entrega realizada a 9 de dezembro. O projeto-piloto foi uma parceria com a Câmara Municipal de Penela e a Santa Casa de Misericórdia de Penela e teve grande cobertura na imprensa nacional.



O objetivo foi avaliar o transporte por drone como uma alternativa ao transporte feito por carrinha. O primeiro beneficiário a usufruir deste serviço foi o Sr. Joaquim dos Reis, septuagenário, que continua a receber o auxílio domiciliar prestado pela Santa Casa. Em breve, outros beneficiários da região também receberão o almoço por drone. Para a Connect Robotics este projeto foi o ponto de viragem, da fase de desenvolvimento de produto para a fase de disponibilização para o mercado.

Regulamentação: Voa na Boa
A questão da regulamentação levanta discussões por todo o mundo, com alguns países mais adiantados que outros. Nesse sentido Portugal pode considerar-se um país privilegiado, pois a regulamentação em vigor desde 13 de janeiro de 2017, é das mais permissivas no que diz respeito à utilização do espaço aéreo sob responsabilidade da ANAC. A mesma simplicidade não se aplica para a recolha de imagens aéreas, que é de responsabilidade da Autoridade Aeronáutica Nacional, mas isso não representa um problema para a indústria dos transportes.

A Connect Robotics realizou todos os voos com autorização prévia da ANAC, e possui autorização para voar BVLOS nas rotas que opera regularmente.O procedimento não é complexo, basta respeitar as recomendações do www.voanaboa.pt .

Organização no céu
Uma questão crucial para o futuro desta indústria é o controlo de tráfego aéreo, e isso não pode ser feito individualmente por cada empresa ou instituição que opera drones, mas sim de forma coordenada e conjunta. Para possibilitar essa troca de informações, padrões precisam ser estabelecidos e obedecidos pelas instituições envolvidas.



Em um esforço conjunto, várias empresas e instituições internacionais do setor se reuniram para fundar a “Global UTM Association”, com o objetivo de criar e divulgar esses padrões, e a Connect Robotics é um dos membros fundadores e ativos.

Planos Futuros

Agora o foco é o cadastro dos interessados no serviço Drone2.me, e o estabelecimento de parcerias para implementação de pontos de distribuição, a princípio em regiões de baixa densidade populacional. Já estão a ser realizados testes com grandes nomes do mercado de distribuição português, portanto pode-se esperar novidades em breve.


por Eduardo Mendes, Connect Robotics
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