segunda-feira, 25 de Setembro de 2017

 
RL 468x60
Carga & Mercadorias
16-02-2017
 
Setor marítimo-portuário
Grupo ETE celebra 80 anos e prepara o futuro
Com oito décadas de história o Grupo ETE festejou o passado mas apontou baterias para o futuro. A frase que marcou o aniversário da empresa foi “Liderar no Presente para desafiar o Futuro”, numa cerimónia que contou com a presença do Presidente da República, que deixou uma mensagem à classe política, e da Ministra do Mar, que desvendou o futuro projetado para o setor.



NA CELEBRAÇÃO NO SEU 80º ANIVERSÁRIO, o Grupo ETE apresentou a sua aposta na internacionalização. Num evento que decorreu nos estaleiros da Naval Rocha, em Alcântara, e que contou com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e da Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, Luís Nagy, CEO do Grupo ETE, salientou «temos um longo passado de que nos orgulhamos, mas não adormecemos à sombra desse passado».

A internacionalização do porfolio de negócios e o desenvolvimento da operação fluvial são duas das apostas estratégicas do Grupo ETE. Segundo Luís Nagy, “inaugurámos a nona década de vida do Grupo ETE com uma forte aposta na internacionalização da nossa operação, a qual tem estado a crescer e que esperamos, daqui a cinco anos, represente 30-40% do nosso volume de negócios, contra os atuais cerca de 10%. Estamos especialmente focados em mercados onde podemos levar valor, explorando áreas onde detemos grande experiência e conhecimento, como é o caso da operação fluvial”.

A América Latina é um das regiões prioritárias para o Grupo ETE. Na Colômbia, onde o Grupo entrou há quatro anos, acaba de iniciar uma nova operação no rio Magdalena, que consiste no transporte fluvial, ao longo de quase 100 km, de agregados para construção de infraestruturas. Adicionalmente, tem ainda em curso operações portuárias com gruas flutuantes, transporte fluvial, apoio a obras marítimas e portuárias e ainda atividades de logística internacional através de parcerias locais. No Uruguai, com a Transfluvial, tem em operação o transporte fluvial de madeira, em contrato continuado, para a maior fábrica de pasta de papel do mundo, operações de transbordo de carga a granel e transporte marítimo.

Cabo Verde é outro dos mercados em que o Grupo ETE está a investir. De acordo com Luís Nagy “recentemente qualificámo-nos em primeiro lugar no concurso público internacional para a privatização da CABNAVE, os estaleiros navais na ilha de S. Vicente, em Cabo Verde; a próxima etapa será a negociação financeira e dos termos finais do contrato de concessão para um período de 30 anos”.

Rio Tejo na mira do Grupo ETE
Também o transporte fluvial, atividade que o Grupo ETE lidera a nível ibérico mereceu a sua atenção. A operação fluvial é apresentada como tendo “elevado potencial de crescimento, tem na componente ambiental um dos seus principais argumentos”. Luís Nagy referiu mesmo «após esta bem-sucedida internacionalização, O Grupo ETE entendeu que agora fazia sentido um novo impulso ao Transporte Fluvial de cargas no rio Tejo».

Para o CEO do Grupo ETE, “sendo o Grupo ETE o único operador a movimentar em Portugal cargas entre navios e barcaças, temos a obrigação de contribuir para o desenvolvimento do transporte fluvial de mercadorias e de alertar os decisores para a relevância estratégica da aposta neste modo de transporte, nomeadamente a nível ambiental”. Em comunicado, o Grupo ETE salienta que as emissões de CO2 e de NOX por tonelada movimentada por via fluvial representam cerca de 10% das emitidas por via rodoviária, o consumo de combustível é quase oito vezes inferior; e melhora a circulação rodoviária, “pois cada barcaça transporta o equivalente a 70 camiões”

Com o propósito de potenciar o transporte fluvial dos rios Tejo ou Douro, o Grupo ETE acabou de lançar à água em junho um inovador rebocador-empurrador, com projeto e construção portuguesa a cargo da Navaltagus, que - pelo baixo calado, comprimento reduzido e elevada potência - permite operações em zonas estreitas, sinuosas e com fundos baixos, e o qual contribui também para aumentar o valor económico destas vias fluviais. Entretanto já tem em fase de projeto a construção de uma segunda embarcação com propulsão a LNG. 

O investimento que o Grupo ETE tem em curso na construção do cais fluvial de Castanheira do Ribatejo, o qual estará a operar no 3ª trimestre de 2017, vai emprestar uma nova dinâmica à sua operação fluvial. De acordo com Luís Nagy, “este é também um investimento que vai desenvolver o intermodalismo do Porto de Lisboa, ao garantir a ligação entre os diversos terminais deste porto e aquela zona logística. Desta forma, contribuirá de forma significativa para o descongestionamento rodoviário do perímetro urbano de Lisboa, pois estima-se uma redução na circulação de 250 a 750 camiões/dia”. Para o Grupo ETE esta aposta no setor fluvial faz sentido, «numa altura em que o trânsito rodoviário na cidade de Lisboa está cada vez mais congestionado, e em que os problemas, especialmente os de natureza ambiental, causados por esse trânsito são cada vez mais evidentes».



O Futuro do Setor Marítimo-Portuário
Terminado o disurso de Luís Nagy, subiu ao púlpito Ana Paula Vitorino. Aos presentes a Ministra do Mar, falou sobre a taxa que o Governo pretende implementar no setor portuário referindo que «não vale a pena nós acharmos que a ‘tonnage tax’ vai resolver tudo, mas vamos tê-la. E vamos ter porquê? Não é só uma questão de comparar os impostos que pagam umas empresas ou outras empresas. É uma questão de ver como é que nós criamos um quadro atrativo para termos em Portugal um número de navios registados, mas que também produzam valor acrescentado em Portugal e com isso vem mais rendimento para os nossos portos, com isso vem mais mercado para a indústria naval». Disse também a responsável pela pasta do Mar que o Executivo quer «melhorar a eficiência e qualidade da capacidade oferecida e, por isso, também teremos que fazer a Janela Única Logística, e, por isso, também teremos que aumentar a eficiência dos equipamentos dos nossos portos».

Ana Paula Vitorino frisou que «quando falamos em investimentos não é só fazer um ou outro terminal. Quando nós falamos em fazer investimentos à séria, em Portugal, nos nossos portos, é fazer investimento no sistema logístico nacional, e envolve todas as componentes, envolve terminais, envolve capacidade de receber maiores navios e depois também envolve uma outra coisa que se prende com a energia do mar, as energias oceânicas». Quanto a esta matéria, a Ministra do Mar revelou a sua vontade para que «o sistema portuário nacional se constitua como um ‘hub’ de abastecimento de LNG», propulsão «cada vez mais utilizada nos navios a nível internacional».

Já a finalizar o seu discurso, a governante referiu ainda: «Eu assumo aqui o compromisso, que muito me honra de, de facto, efetivar aquilo que é uma maior competitividade dos nossos portos» e reforçou, «assumo enquanto responsável política. O empreendedorismo, a inovação, a modernização são matérias que são essenciais, mas que só existem efetivamente se andarmos todos de mãos dadas, e é aquilo que vos estou aqui a oferecer, que possamos dar as mãos», disse a Ministra.

«Estabilidade de Regime» para o Mar

A celebração do Grupo ETE contou também com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que, acompanhado pela Ministra do Mar e pelo Ministro do Ambiente, visitou as instalações da empresa e duas embarcações nos estaleiros Naval Rocha, em Alcântara, Lisboa. 

As primeiras palavras do Presidente da República foram, inevitavelmente, dirigidas ao Grupo ETE. As qualidades de resiliência, excelência na chefia e serviços prestados ao país foram salientados, sendo, para o Presidente, a longevidade do Grupo, prova disso mesmo. O chefe de Estado destaca: «Sempre com uma perspectiva de inovação, sempre com preocupações que não se cingiam ao imediato e ao médio prazo, sempre com uma equipa muito boa de colaboradores e de parceiros, permitiu levar mais longe o Grupo».

Mas Marcelo Rebelo de Sousa marcaria a sua intervenção com um apelo à «estabilidade de regime», no que ao mar diz respeito. Questionava o chefe de Estado: «Se é tão óbvia a importância do mar, há séculos, praticamente desde os primórdios da nacionalidade, porque é que não foi tão óbvio assim no tempo contemporâneo a definição de uma política transversal, global, compreensiva, de longo fôlego em relação ao mar?»

Para o Presidente da República «há prioridades que são óbvias» e como tal, «no essencial tem de haver uma continuidade», até porque, «definir e executar essas políticas exige estabilidade». Rebelo de Sousa ressalva; não se trata de uma continuidade partidária, ou de manutenção de um mesmo Governo. Trata-se de um continuidade no que aos interesses nacionais diz respeito. «E esse é um grande problema português, não é a estabilidade apenas do sistema financeiro ou a estabilidade apenas de um determinado domínio económico, é a estabilidade de regime que é fundamental para um país que é enorme em capacidade humana mas é limitado em termos físicos em muitas circunstâncias e deve saber aproveitar todas as suas valências, potencialidades»

Do consenso político relativo a matérias consideradas primordiais para o país, Marcelo Rebelo de Sousa refere igualmente que, para além da estabilidade, também o tempo conta. O representante máximo de Portugal, dizia no aniversário do Grupo ETE que a máquina política e as leis têm muitas vezes dificuldade em acompanhar a realidade, demorando tempo a adaptar-se às novas exigências que se vão impondo. Por isso mesmo, o Presidente da República saudou a Ministra do Mar. «Fiquei muito feliz por ouvir a senhora Ministra falar em prazos curtos para a concretização de vários passos em simultâneo» porque «cada dia perdido nestes domínios equivale a um desperdicio de recursos e de energia». Há ainda tempo para se fazer um paralelismo com o futebol e reforçar o aviso à classe governativa, «em política um empate é sempre uma derrota. Estar a empatar tempo é estar a perder tempo». Mas a palavra de ordem no discurso do Presidente da República não deixa de ser «estabilidade», e a mensagem é clara, antes de terminar, congratulando novamente o Grupo ETE, desejando estar presente no 100º aniversário, Marcelo Rebelo de Sousa volta a reforçar «tem de haver estabilidade de linhas fundamentais e depois capacidade de ajustamento tático».

por Miguel Ribeiro Pedras
Tags: Grupo ETE  
1127 pessoas leram este artigo
300 pessoas imprimiram este artigo
0 pessoas enviaram este artigo a um amigo
0 pessoas comentaram este artigo
Comentários
Não existem comentários
  
Deixe o seu comentário!

 


 

  



Spinerg


  




Chronopost







RSS TR Twitter Facebook TR Canal Transportes Online

Dicas & Pistas © 2009, Todos os Direitos Reservados

Condições de Utilização | Declaração de Privacidade
desenvolvido por GISMÉDIA