terça-feira, 14 de Agosto de 2018

 
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Carga & Mercadorias
19-01-2017

Projeto Optimum
Portagens dinâmicas, no caminho da gestão eficiente da infraestrutura rodoviária
“Caso-piloto” do projeto europeu OPTIMUM está prestes a arrancar em cinco autoestradas portuguesas. Cofinanciado pela Comissão Europeia no âmbito do Programa Horizonte 2020,
o OPTIMUM decidiu desenvolver um modelo previsional de portagens dinâmicas, com a perspetiva de o testar num “caso-piloto” em território português.




O investimento em infraestruturas rodoviárias de alta capacidade em Portugal foi acentuado durante as últimas décadas, existindo atualmente cerca de 3.000 km de autoestradas, 84% dos quais sujeitos à cobrança de portagens.

É reconhecida a qualidade global da rede portuguesa de autoestradas, bem como a sua subutilização: os condutores portugueses privilegiam frequentemente as vias gratuitas, muitas vezes adjacentes àquelas que são portajadas, em detrimento da segurança ou do tempo de viagem, colocando o peso da sua decisão quase exclusivamente no preço da portagem.

Por este motivo, a rede viária “secundária” (idealmente usada para as ligações de caráter predominantemente local e urbano) tem visto o seu tráfego crescer, contribuindo para o aumento generalizado dos tempos de viagem (para todos os utilizadores), um maior número de paragens, atrasos progressivamente maiores e um aumento dos custos de viagem, das emissões poluentes e dos níveis de ruído. O congestionamento destas vias contribui também para um aumento dos custos de manutenção (quer da infraestrutura, quer das viaturas) e, em paralelo, para o aumento do número de acidentes, em particular aqueles que envolvem peões. Expandir ou intervir fisicamente na rede viária, por si só, tem custos elevados e perversos para o sistema de mobilidade, pelo que a solução terá antes de passar, em primeiro lugar, pelo uso mais eficiente da rede viária existente.

O projeto OPTIMUM
Foi com esta ideia em mente que o projeto europeu “OPTIMUM – Multi-source Big Data Fusion Driven Proactivity for Intelligent Mobility”, cofinanciado pela Comissão Europeia no âmbito do Programa Horizonte 2020, decidiu desenvolver um modelo previsional de portagens dinâmicas, com a perspetiva de o testar num “caso-piloto” em território português.

Uma vez que os operadores logísticos são, na verdade, parte relevante do tráfego das estradas nacionais, e tendo as suas decisões em matéria da utilização que fazem da rede viária, forte impacto no sistema de transportes, serão estes os primeiros beneficiários do modelo desenvolvido, mantendo em vista a sua expansão para outras empresas do setor e para o público em geral num futuro próximo.



O consórcio do projeto é constituído por 18 parceiros de 8 países diferentes, entre os quais se incluem a TIS – Transportes, Inovação e Sistemas, a IP – Infraestruturas de Portugal, gestora da rede rodoferroviária nacional, a Luís Simões e a UNINOVA. O “caso-piloto” português contará ainda com a participação dos austríacos da Kapsch e da Fluidtime, bem como da Universidade de Aegean (Grécia). No final do projeto, os key performance indicators (KPI) a atingir no “caso-piloto” são exigentes: é expectável que se atinja uma redução de 15% no tráfego da rede nacional alternativa e uma redução de 10% nos custos das operações da Luís Simões (tempo de viagem, distância percorrida, etc.). Adicionalmente, espera-se também que seja possível obter um aumento de pelo menos 10% na receita da IP – Infraestruturas de Portugal, proveniente da cobrança de taxas de portagem, por via do crescimento da procura na rede portajada.

O “Caso-Piloto” português da teoria...
A rede de autoestradas portuguesas a incluir no “caso-piloto” foi definida tendo como base algumas das principais rotas utilizadas pela Luís Simões na sua atividade diária, e focando a análise na área de influência das autoestradas cuja receita de portagens é da titularidade da IP – Infraestruturas de Portugal.

Assim, a rede a testar nesta fase inclui duas ligações a Espanha (A25 e A28), a ligação litoral entre Aveiro e o Porto (A29) e ainda duas autoestradas urbanas da Área Metropolitana do Porto (A4 e A41).

Juntamente com estes eixos, incluem-se na rede em avaliação todas as estradas urbanas e nacionais usadas regularmente pela Luís Simões como alternativa aos sublanços portajados.

Para uma primeira aproximação das taxas de portagem “ótimas” (ou intervalo de preços mais proveitosos para os objetivos do projeto), a TIS recorreu ao seu modelo de tráfego à escala nacional, que inclui, com grande pormenorização, a área em estudo e as cinco autoestradas referidas. Este modelo tem sido largamente utilizado pela empresa e é atualizado anualmente, estando por isso inteiramente ajustado à realidade portuguesa.

Foram utilizados cerca de 330 pontos de validação para garantir que os volumes de tráfego em cada secção representavam corretamente o tráfego médio diário anual de 2015 na área em estudo. A matriz de viagens utilizada foi complementada com os dados da Luís Simões, nomeadamente as rotas nesta área, e a escolha de caminhos foi validada com as posições GPS dos camiões que percorrem essas rotas.



De modo a estimar os KPI referidos, optou-se por uma metodologia faseada: inicialmente, e para cada uma das concessões abrangidas pela rede de autoestradas considerada (Beiras Litoral e Alta, Costa de Prata, Grande Porto e Norte Litoral), foram testadas taxas de portagem semelhantes em todas as secções, com intervalos de redução face ao preço atual dos 5% aos 50%; de seguida, foram selecionadas as secções com maior potencial de “captura” (pela existência de vias alternativas não portajadas adjacentes) e, posteriormente, aplicadas taxas de portagem baseadas no tráfego captado em cada cenário de pricing.

Os primeiros resultados são francamente encorajadores: o tráfego de pesados nas estradas nacionais da rede em estudo reduzir-se-ia cerca de 8% (veículos.km), enquanto o tráfego na rede de autoestradas aumentaria até 17% (veículos.km), com um aumento das receitas na ordem dos 7%. Em simultâneo, as poupanças obtidas pelo operador logístico seriam quase residuais (cerca de 1%), além de se estimar uma redução dos custos externos (congestionamento, ruído, infraestrutura, etc.) resultantes desta transferência de tráfego de pelo menos 8%.

Os resultados do modelo de tráfego da TIS (os intervalos desejáveis de preços a aplicar) foram fornecidos à Universidade de Aegean, responsáveis pela criação do modelo econométrico de escolha de rotas. Este modelo econométrico está a ser “alimentado” também com os dados de tráfego e dos sistemas de portagens das autoestradas e respetivas alternativas, condições meteorológicas e eventos e incidentes; com base, por exemplo, no histórico de acidentes de uma determinada secção (ou na sua alternativa) e relacionando-o com a hora do dia ou o dia da semana, será possível calcular um fator sobre o preço tabelado.
O modelo econométrico foi também calibrado com as respostas de aproximadamente 60 questionários feitos a condutores de veículos pesados e operadores logísticos, de modo a entender o comportamento destes agentes no momento da escolha de rotas, nomeadamente no que à escolha do percurso diz respeito. Os questionários incluíam alguns cenários de preferência declarada, em que os inquiridos eram confrontados com duas rotas alternativas e com um conjunto de eventuais incentivos (descontos no combustível, áreas de descanso, vias dedicadas para veículos pesados, etc.) que poderiam influenciar a escolha de caminho.

Com base nestes elementos, o modelo econométrico produzirá, para cada secção, uma proposta de preço “ótimo” que pode ser superior ao tabelado (fomentando a transferência destas viagens para períodos menos congestionados) ou inferior (levando à desejada transferência de tráfego para as autoestradas).

… À prática
Uma vez calculados os preços, esta informação será fornecida à Luís Simões através de um webservice que está a ser desenhado e implementado pela UNINOVA, pela Kapsch e pela Fluidtime. Nesta “fase-piloto”, apenas a Luís Simões terá acesso a este serviço, e com uma antecedência de 48 horas (por razões de planeamento de rotas); por outras palavras, numa segunda-feira às 8:00 a Luís Simões terá acesso aos preços das secções de autoestradas para o período entre as 8:00 dessa segunda-feira e as 7:59 da quarta-feira seguinte.

Utilizando esta plataforma online, a Luís Simões incluirá os novos preços no seu processo de tomada de decisão no que respeita às rotas a percorrer por 10 viaturas selecionadas, e sobre as quais se procederá à extração de dados sobre as viagens realizadas. Estão já a ser recolhidos dados relativos à operação corrente destas mesmas viaturas, ainda que sem recurso à plataforma do projeto OPTIMUM, de modo a ser possível fazer a comparação entre os dois momentos.

Perante os novos preços (que, nesta fase, por se tratar de um teste, são totalmente “virtuais”, sem qualquer impacte financeiro na operação), a Luís Simões terá a liberdade de aceitar ou rejeitar a mudança da sua rota pela estrada nacional para a autoestrada, sendo esta informação também fulcral para ajudar a melhorar progressivamente o mecanismo de cálculo dinâmico das taxas de portagem.

Os próximos passos do projeto
O projeto arrancou em maio de 2015 e tem o seu final previsto em maio de 2018. Espera-se que o potencial revelado pelos testes realizados venha a ser confirmado já no final de novembro deste ano, quando a Luís Simões começar a planear parte das suas viagens com recurso ao modelo de cálculo de portagens desenvolvido.

A primeira fase do “caso-piloto” decorrerá até fevereiro de 2017, estando prevista uma nova ronda de simulações no final de 2017, onde eventuais constrangimentos que se venham a detetar deverão estar corrigidos.

Depois disso, é convicção dos responsáveis pelo projeto que esta plataforma será utilizada não só pelos operadores logísticos, mas também por qualquer utilizador da rede rodoviária, que poderá decidir com recurso a informação em tempo (quase) real a melhor rota para a sua viagem. A interface a adotar poderá passar pela manutenção do webservice ou pela construção de uma app própria. Obrigando no futuro a uma revisão do quadro legislativo de suporte nesta matéria, os operadores logísticos (e não só) poderão ser encorajados a evitar os períodos de maior procura ou as vias mais congestionadas, beneficiando de modelos de pricing mais adequados por utilizar a rede de autoestradas ao mesmo tempo que reduzem o tempo de viagem, e aumentando a sua eficiência, segurança e fiabilidade. Em simultâneo, é promovida a utilização mais eficiente da infraestrutura rodoviária disponível.

por André Ramos, TIS e Sónia Machado, IP

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