quarta-feira, 20 de Setembro de 2017

 
Carga & Mercadorias
18-01-2017

O novo ciclo dos Portos portugueses (Parte II)
Inevitavelmente teria que voltar ao IX Congresso da AGEPOR, agora para vos dar a conhecer as suas conclusões.

Assim, em primeiro lugar, quero referir que o património riquíssimo que constitui o Rio Douro e toda a sua envolvente, do qual se destacam os vinhedos que dão origem ao vinho mais famoso de Portugal, estão muito bem entregues ao cuidado da APDL. A apresentação que foi feita aos Congressistas do projeto que se está a desenvolver no Douro deixou perceber que tanto passageiros como carga terão o seu espaço, e que a navegabilidade em toda a extensão do rio será assegurada.

Depois e enquanto ainda os olhos navegavam por paisagens de singular beleza, foi tempo de olhar para o mercado dos cruzeiros, e perceber que o negócio continuava de vento em popa, mas que as Companhias de cruzeiro se estão a concentrar e a querer dominar cada vez mais todas as parcelas do negócio. Tal como foi dito pelo Professor especialista convidado, as Companhias de cruzeiro estão a competir de forma cada vez mais agressiva, com os parceiros do negócio e com os portos pela “carteira dos clientes”.

Já na Régua, mas ainda de olho no Douro, o Prof. Vitor Bento encarregou-se de acordar bruscamente os participantes chocando-os com os dados económicos mundiais, nacionais e suas perspetivas futuras. Se não tivesse deixado a esperança e a certeza que Portugal já tinha conseguido ultrapassar tempos e situações mais difíceis, o Congresso era capaz de ter terminado logo ali.

Revista que foi a economia, a prestigiada consultora Drewry fez questão de marcar a sua presença, olhando para o mercado global dos navios e suas cargas. No final não se fez rogada concluindo que no shipping afinal o tamanho conta mesmo. A sagacidade dos presentes rapidamente entendeu que aqui a palavra escala jogava sentido duplo. Quanto maior a escala dos navios menor o número de portos escalados. Percebeu também que, face ao tamanho dos navios em construção, se os portos portugueses não tivessem um plano e uma estratégia de crescimento rápido, muito em breve estaríamos todos a tentar meter o Rossio na rua da Betesga.
Mas afinal sempre havia um plano e uma estratégia.

As Comunidades Portuárias, apoiadas num estudo feito em parceria com a PWC, mostraram que o setor tinha um rumo e que traçara já uma rota bem definida. Se todos os “players” cumprissem com a sua parte e fossem capazes de trabalhar em conjunto, podia-se afirmar com alguma segurança que lá por 2040, 200 milhões já cá cantam. Para o provar, e para deixar cair o véu sobre o Novo Ciclo dos Portos Portugueses, APP, CPC, AMT e AGEPOR debateram animadamente, com a ajuda de toda a audiência, o status quo das infraestruturas portuárias e da necessidade urgente da sua adequação aos tempos futuros. Não mentiria se dissesse que conectividade, digitalização, simplificação e investimento foram porventura as palavras mais escutadas.

Para encerrar o Congresso, e antes do porto de honra, os presentes foram surpreendidos por uma interessantíssima palestra proferida pelo Sr. Dr. Henrique Leitão, que nos trouxe alguns aspetos ainda mal conhecidos da epopeia dos Descobrimentos. Este final, para além de vir provar que nós, no passado, não fomos grandes por acaso, teve também o mérito de vir animar e motivar o setor a querer voltar a ser grande no futuro. E finalmente o pano caiu.
 
por António Belmar da Costa
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