terça-feira, 26 de Setembro de 2017

 
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Passageiros & Mobilidade
07-10-2016

O Projeto CISMOB
Plataforma de informação cooperativa de apoio à mobilidade sustentável e à redução da pegada de carbono
As inovações tecnológicas ocorridas na indústria automóvel e o esenvolvimento de combustíveis alternativos são fatores extremamente importantes para a melhoria da eficiência energética e do desempenho ambiental no setor dos transportes. Contudo, só por si, estas estratégias afiguram-se insuficientes para cumprir os objetivos definidos pela União Europeia ao nível da mobilidade sustentável e da redução das emissões de gases de efeito de estufa.



Neste contexto, a otimização da eficiência no uso das atuais infraestruturas rodoviárias poderá assumir um papel relevante na redução dos consumos energéticos e das emissões associadas ao setor dos transportes, tal como preconizado no Livro Branco “Roteiro do espaço único europeu dos transportes – Rumo a um sistema de transportes competitivo e económico em recursos” (CE, 2011). Por exemplo, a integração de sistemas de gestão de tráfego e sistemas avançados de informação de tráfego podem influenciar o comportamento dos condutores desde que estes possam ajustar o seu tempo de partida ou rota em resposta à disponibilização de informação mais detalhada.

Por outro lado, num contexto de crescente disponibilidade de tecnologia de sensores para monitorizar e armazenar grandes quantidades de dados, um desafio comum para os decisores políticos passa por identificar as melhores práticas para tirar partido destas novas fontes de dados e usá-los para priorizar áreas de intervenção, gerir eficientemente as redes rodoviárias, informar os cidadãos e motivá-los a escolher opções de mobilidade mais sustentáveis.

Assim, a visão principal do projeto CISMOB (Cooperative information platform for low carbon and sustainable mobility) é potenciar a aplicação de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) na mobilidade urbana e interurbana como forma de promover a redução da pegada de carbono e aumentar a sustentabilidade das regiões, através de uma otimização na eficiência do sistema de transportes. Está inserido no Programa Interreg Europe, o qual é financiado pelo FEDER - Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional e que tem por objetivo melhorar a implementação de políticas e programas de desenvolvimento regional. Ao cofinanciar projetos em quatro plataformas temáticas, permite que as autoridades públicas regionais e locais e outros intervenientes de importância regional em toda a Europa partilhem boas práticas sobre a forma como as políticas públicas funcionam, e, desta forma, possam encontrar soluções para melhorar as suas estratégias para os seus próprios cidadãos. O projeto CISMOB foi um dos 16 projetos europeus aprovados na 1ª convocatória de projetos INTERREG na plataforma temática “low carbon economy”, sendo o único projeto liderado por uma Universidade nas 4 plataformas.

O projeto conta com um orçamento global de 1.04 milhões €, teve início a 1 de abril de 2016 com uma duração prevista de 4 anos.

O consórcio liderado pela Universidade de Aveiro inclui mais cinco parceiros - Universidade de Estocolmo, Município de Águeda, Sistemas Inteligentes de Transportes-Roménia, Autoridade Metropolitana dos Transportes de Bucareste e Agência de Energia da Extremadura.



O objetivo central do projeto CISMOB foca-se em melhorar a aplicação das políticas regionais e programas de mobilidade através de um entendimento completo sobre os diferentes impactes dos transporte e as principais vulnerabilidades associadas a diferentes zonas do território. Os programas da política de mobilidade local/regional não deve ser focalizados unicamente na minimização de um determinado parâmetro (por exemplo, níveis de congestionamento ou emissões de CO2), mas sim promoverem abordagens holísticas, capazes de responder às perguntas: O que (minimizar)? Por quê? Quando? Onde? E como? Os instrumentos políticos que serão abordados pelas entidades Nacionais (nomeadamente, o Programa Operacional 2020 da Região Centro e o Plano de mobilidade sustentável da cidade de Águeda) devem também fornecer um quadro de indicadores para avaliar e informar os custos e benefícios ambientais de diferentes soluções de mobilidade.

O consórcio CISMOB integra um conjunto de cidades e regiões de características heterogéneas, que são representados por instituições com perfis complementares. Todos os parceiros e entidades interessadas a nível regional irão cooperar, a fim de identificar as melhores práticas de gestão sustentável do sistema de transportes e criar uma plataforma de conhecimento e massa crítica no sentido de influenciar a melhoria dos instrumentos de gestão política. Serão organizados programas de intercâmbio, conferências e encontros locais com as entidades interessadas com o objetivo de trocar experiências, aprender as melhores práticas e potenciar a participação do cidadão. Além do desenvolvimento de planos de ação para melhorar cinco instrumentos políticos, o consórcio pretende desenvolver uma agenda intitulada “ICT towards low carbon and sustainable mobility ¬ - a Multiscale perspective”.

As TIC como meio de incrementar a sustentabilidade do transporte rodoviário
O papel das TIC no setor dos transportes assume 4 pilares fundamentais: Monitorizar, Avaliar, Informar e Gerir.

No capítulo da monitorização, para além dos tradicionais sistemas de monitorização de tráfego, têm surgido nos últimos anos inúmeras fontes de dados móveis (localizadores GPS, smartphones). Estas fontes permitem reduzir significativamente os custos associados à instalação e manutenção dos tradicionais equipamentos de monitorização e fornecem informação detalhada sobre a dinâmica de um subconjunto de veículos. Contudo, para já ainda não possibilitam substituir na sua totalidade os equipamentos tradicionais que nos permitem identificar em tempo real o volume, densidade de tráfego e incidentes/causas de situações de congestionamento não recorrentes. Neste contexto, um dos principais focos da investigação passa precisamente por desenvolver sistemas de aprendizagem automática que permitam correlacionar dados de dinâmica e impactos de veículos individuais e dados macroscópicos de tráfego.

A partir do momento em que se estabelecem correlações consistentes entre os impactos individuais e coletivos nos diversos segmentos de uma rede, torna-se possível avaliar praticamente em tempo real os impactos coletivos do sistema de transportes. Concretamente, podemos prever a quantidade de emissões e ruído emitida por unidade de tempo ou distância, num determinado segmento da rede, por uma frota com características médias conhecidas. Se além dos dados obtidos “insitu” i.e na infraestrutura rodoviária, se completar esta informação com dados dos padrões de ocupação das zonas urbanas (a partir por exemplo de dados de densidade de utilizadores de telemóvel) é possível avançar um passo significativo na avaliação de impactos dos transportes. Especificamente, será possível estimar a exposição da população aos vários impactos e externalidades negativas do transporte rodoviário.



A partir das diversas camadas de dados acima descritos, pode ser construída uma plataforma dinâmica de mapas associada a ferramentas de otimização. Tais plataformas terão a capacidade de informar em tempo real os cidadãos sobre as escolhas mais sustentáveis para uma determinada viagem (ex. viagem de bicicleta com menos esforço/índices de poluição, viagem de carro com menores consumos). Com a disponibilização destes serviços os cidadãos podem ser simultaneamente “produtores” de dados sobre os seus padrões de atividade e consumidores de informação de mobilidade.

Como último pilar refira-se o papel das TIC como apoio à gestão das infraestruturas rodoviárias. Basicamente a informação dos três pilares anteriores pode ser usada do ponto de vista do gestor da rede para otimizar a eficiência e sustentabilidade no uso das infraestruturas através de sistemas inteligentes de transportes (ITS).

por Margarida C. Coelho e Jorge Bandeira, Universidade de Aveiro
 
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