domingo, 19 de Novembro de 2017

 
Passageiros & Mobilidade
21-06-2016

Projeto Ubike Portugal
“A academia a pedalar, as mentalidades a mudar”
As cidades são territórios onde, indiscutivelmente, se concentram grandes desafios – pobreza e exclusão social, problemas ambientais, efeitos da crise económica –, mas também grandes oportunidades, como a capacidade e massa crítica para gerar inovação e construir a competitividade. A mobilidade é um aspeto crucial e transversal a toda a atividade urbana e as opções neste domínio têm uma influência direta na competitividade económica de uma cidade e no bem estar de quem nela vive e trabalha.




A promoção de uma mobilidade mais sustentável está em linha com o Compromisso para o Crescimento Verde e com diversas estratégias públicas aprovadas, com destaque para a Estratégia Cidades Sustentáveis 2020, o Plano Nacional de Ação para a Eficiência Energética 2013-2016, e ainda o projeto de “Plano Nacional de Promoção da Bicicleta e Outros Modos Suaves 2013-2020 – CiclAndo”.

Foi neste enquadramento que foi lançado um projeto inovador de mobilidade sustentável – o projeto U-bike Portugal – uma iniciativa que irá permitir disponibilizar bicicletas elétricas e convencionais, por parte das instituições de ensino superior público, à comunidade académica, com apoios do Portugal 2020, através do Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (POSEUR). As bicicletas serão atribuídas aos utilizadores, que podem ser alunos, docentes e colaboradores, com base em normas definidas por cada universidade e em cumprimento das regras gerais nacionais, aprovadas pelo Instituto da Mobilidade e dos Transportes, visando uma utilização de longa duração (ex.: aluguer durante um semestre ou um ano letivo) de forma a criar hábitos efetivos de utilização regular deste modo, diminuindo, nomeadamente, o peso do automóvel nas deslocações. Com este projeto, não se pretendeu apenas criar um serviço ou uma opção, à semelhança de sistemas de bikesharing tradicionais, mas acima de tudo promover uma alteração de comportamentos e de mudança de mentalidades.

A opção pelo meio universitário para iniciar este projeto residiu em duas constatações. Em primeiro lugar, os alunos universitários constituem um grupo chave para uma aposta na alteração de hábitos de deslocação, apresentando uma maior sensibilidade para a adesão a novas experiências, constituindo um público-alvo preferencial para o estímulo à mobilidade suave. Em segundo, porque as instituições de ensino superior constituem pólos fundamentais de geração e atração de viagens, estando localizadas por todo o território nacional, sendo responsáveis direta e indiretamente por muitas viagens e mobilizando um conjunto significativo de população, o que contribui para um efeito de escala do projeto. É desejável, ainda, que a este projeto sejam associadas medidas complementares de promoção local deste modo de transporte, nomeadamente ao nível da gestão do território e do espaço público urbano, pelo que o U-bike Portugal privilegia uma estreita articulação com as autarquias em que as instituições de ensino superior público se inserem.

A bicicleta convencional é considerada como o modo de transporte mais competitivo até à distância de quatro quilómetros (Comissão Europeia, 2000), sendo que esta distância aumenta largamente quando falamos de uma bicicleta elétrica, em paralelo com a capacidade de vencer topografias mais acidentadas que esta última opção oferece. Tendo em conta que 50 por cento dos trajetos efetuados em meio urbano têm menos de três quilómetros, este torna-se, de facto, um dos modos de deslocação mais eficientes para a curta distância.
Contudo, a realidade em termos de repartição modal mostra-nos que em Portugal apenas 0,5% das deslocações pendulares são feitas de bicicleta (Censos 2011), face a uma média europeia de sete por cento. O peso do automóvel nas deslocações é extremamente elevado e continua a crescer (63 por cento, segundo os Censos 2011), sendo um dos países da União Europeia com maior taxa de monitorização, apesar dos efeitos da crise económica e de não possuir uma população com elevado poder de compra, face a outros estados membros. Assim, em Portugal ainda temos um longo caminho a percorrer… de preferência, de bicicleta!

Em contrapartida, Portugal revela-se um país altamente competitivo no que respeita à produção destes veículos de duas rodas, tendo ultrapassado os 300 milhões de euros de exportações e produzido 1,6 milhões de unidades em 2014, o que faz do país o terceiro maior produtor europeu. A expectativa, segundo a Abimota – associação do sector –, é que a instalação de novas indústrias do sector em Portugal faça o número de unidades produzidas crescer para 2,5 milhões nos próximos 3 anos, com as externalidades positivas que esta trajetória permite, necessariamente, ao nível da captação de investimento e da criação de emprego. O projeto U-bike Portugal é, também, uma oportunidade para apoiar o desenvolvimento deste verdadeiro cluster nacional.
A bicicleta é um meio de transporte de baixo custo, não poluente e não emissor de ruído. Utiliza pouco espaço, permite aliviar o congestionamento nas cidades e reduzir o consumo e a dependência energética. A sua utilização combate o sedentarismo e reduz o risco de doenças e problemas respiratórios. Ainda por cima, a bicicleta está na moda. Importa agora aproveitar esta oportunidade para pôr a academia a pedalar e, acima de tudo, as mentalidades a mudar, reorganizando a vida das pessoas e o território, em função de comportamentos mais sustentáveis.

Com base na informação disponibilizada pelo Instituto de Mobilidade e dos Transportes, os dados disponíveis em sede de candidatura à data do fecho do Aviso aberto pelo PO SEUR U-Bike Portugal, resumidos na infografia abaixo, apontam para uma cobertura nacional bastante significativa e um número de bicicletas muito expressivo. Efetivamente, com um montante total de investimento estimado a superar os 6 milhões de Euros, financiados a 85 por cento pelo PO SEUR, serão colocadas em circulação 3.234 bicicletas (1.138 convencionais e 2.096 elétricas).

 

 
por: Miguel de Castro Neto, NOVA Information Management School - Universidade Nova de Lisboa
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Comentários
27-08-2016 9:37:20 por Robert Stussi
Politécnico de Leiria há anos estava num projecto europeu e havia várias boas praticas incluindo trazer transportes públicos para o campus mas ninguém se incomodou de as transferir. É mais cómodo de leccionar em vez de pod mão a massa Os campuses deste país são exemplos tristes disto, a começar pelo IST 1farol da ciência em transportes
  
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