terça-feira, 16 de Outubro de 2018

 
Passageiros & Mobilidade
14-06-2016

Microtransit: inovação na mobilidade urbana
Cada vez mais, um pouco por todo o Mundo, têm surgido novos modelos de negócio associados à mobilidade urbana e com uma forte componente tecnológica associada. O conceito de Microtransit surge como alternativa aos modos convencionais de transporte e já se encontra em expansão em países como os Estados Unidos e o Brasil.



Com a recente aprovação do novo Regime Jurídico do Serviço Público de Transporte de Passageiros – Lei 52/2015 de 9 de junho, ficou clara a necessidade de se encontrar novos modelos de negócio que incorporem inovação e flexibilidade à oferta de transportes coletivos rodoviários urbanos. O sistema Microtransit (micro transporte coletivo em português) responde a esta procura, apresentando-se como um serviço inovador, já presente nos Estados Unidos e no Brasil.



O conceito de Microtransit caracteriza-se por um serviço de transporte coletivo em carrinhas e miniautocarros, com lugares exclusivamente sentados, wifi e ar-condicionado, apresentando-se como uma boa alternativa para o utilizador do automóvel individual, pois oferece o mesmo nível de conforto do carro particular com o bónus de tornar o tempo de viagem produtivo (ao invés de conduzir, o passageiro pode trabalhar, navegar na internet ou mesmo descansar) e eliminar o stress associado à procura de estacionamento. É um serviço que se encaixa entre o autocarro e o táxi, combinando o conforto e flexibilidade do último com uma relação custo/benefício próxima do primeiro.

Apesar de todas as conveniências referidas acima, as características fundamentais do Microtransit são a sua flexibilidade, o facto de ser moneyless, self-service e inovador ao nível da comunicação com o passageiro: todo o processo de introduzir origem e destino, escolher o horário da viagem, efetuar pagamento, consultar locais de paragem e localização em tempo real da carrinha é feito por uma aplicação via smartphone, logo todas as viagens são pré-compradas, semelhante ao transporte aéreo. Esta caraterística pode ser considerada disruptiva (Disrupitve Mobility) pois elimina o incentivo pernicioso comum aos serviços desregulados de transporte coletivo em cidades africanas e do sudeste asiático: a competição dos operadores nas ruas pelos passageiros, a chamada Penny War ou Guerra del Centavo, comportamento que deve ser evitado pois causa externalidades negativas de vária ordem. A aplicação também serve para gerir as operações, afetar motoristas e carrinhas e criar as linhas que, devido ao caráter inovador e flexível deste serviço, se assemelham aos serviços DRT: Demand Responsive Tranport.



A experiência internacional confirma o sucesso desse serviço: Em Boston, a startup Bridj (www.bridj.com) dispõe de contratos pré-estabelecidos com operadores de carrinhas e minibus, conhecidos por “Limousine service operators”. Os operadores disponibilizam veículos e motoristas que recebem a escala do dia seguinte baseada nas viagens pré-compradas pelos passageiros. A Bridj só opera nos períodos de ponta e tem autorização para apanhar e largar passageiros em sítios pré-estabelecidos da Área Metropolitana de Boston, geralmente próximos das paragens do transporte público tradicional. Já a Chariot em San Francisco diverge apenas em um aspeto da sua congénere de Boston: a própria empresa possui as carrinhas e motoristas.

Outros aspetos interessantes do conceito de Microtransit é a possibilidade de crowdsourcing e crowdfunding das linhas, mecanismos muito utilizados pela Chariot: no seu website (www.chariot.com) o potencial passageiro insere sua origem e destino (crowdsourcing) e, caso outros passageiros também o façam para as mesmas origens e destinos ou para sítios próximos, pode-se então implementar uma linha. Há ainda a opção de pré-comprar várias viagens (crowdfunding) para aquele trajeto, garantindo assim a operação futura da linha.

No Brasil o conceito de Microtransit iniciará sua fase de testes com a startup Bora (vaidebora.com.br), que promete operar em uma grande cidade brasileira em breve. Diferente dos serviços da Chariot e Bridj, a tecnologia da Bora permite linhas dinâmicas: estas não são fixas nem pré-definidas, sendo determinadas em tempo real, de acordo com as solicitações dos passageiros. Com tal flexibilidade de linhas, a Bora promete ser uma alternativa ao automóvel individual, oferecendo viagens ponto a ponto, sem transferências, por metade do preço regular do táxi.

Assim, com o novo Regime Jurídico, as Câmaras Municipais, Autoridades Metropolitanas de Lisboa e Porto e Comunidades Intermunicipais estão pressionadas para rever seus contratos de exploração e lançar novos concursos até 3 de dezembro de 2019 (Regulamento (CE) n.º 1370/2007). É agora, portanto, o momento ideal para preparar esses concursos e incorporar a tão prometida “inovação associada à mobilidade urbana”. O Microtransit é uma solução inovadora que deve ser ponderada.

por: Marcos Schlickmann
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