sexta-feira, 23 de Junho de 2017

 
Passageiros & Mobilidade
22-03-2016

A Propósito do Metro do Mondego
Assisti no passado dia 8 de Março à sessão, oportunamente organizada em Coimbra pela Transportes em Revista, sobre a “Alternativa Busway” para o Metro do Mondego e devo dizer que me continua a surpreender o facto de alguns responsáveis insistirem na defesa de soluções que, à partida, se sabe que não encontrarão, nem no médio prazo, uma situação de sustentabilidade económico-financeira.




Vejamos os dados de partida: o estudo da procura aponta para um valor de 35.000 passageiros por dia o qual, considerando, um período de ponta de duas horas e uma procura de 80% no sentido mais forte, se traduz numa procura de 7.000 passageiros por hora e por sentido.

Ora uma procura dessa dimensão é perfeitamente suportada por autocarros, nomeadamente se forem articulados, que me parece se ajustariam também aos trajectos urbanos.

A primeira conclusão a tirar é a de que a opção por um sistema de metro ligeiro não é suportada pela procura, pois, como se pode verificar pelo Gráfico 1, que indica as faixas de procura para as quais cada modo de transporte encontra o seu equilíbrio económico-financeiro, para aquele modo teríamos que ter uma estimativa da procura de, pelo menos, 25.000 passageiros por hora e por sentido.


De acordo com o gráfico, o autocarro guiado pode suportar uma procura mais elevada, que possa vir a desenvolver-se.

Uma segunda conclusão tem que ver com a distância entre paragens, pois para que os modos ferroviários possam garantir ofertas elevadas terão de operar veículos com elevada capacidade e alta velocidade, e esta última condição impõe uma distância entre paragens muito mais elevada do que a que existe entre Coimbra e Serpins, que é de 974 metros. O Gráfico 2 mostra que para os modos rodoviários a distância entre paragens pode ser inferior.


Em conformidade com os dados e critérios anteriormente referidos, o autocarro é o modo adequado, quer pelo muito menor investimento a realizar, quer pela melhor adequação ao valor da procura estimada, podendo suportar aumentos que se venham a verificar no futuro.

Atendendo às características do perfil e ao facto de existirem túneis e pontes, é meu parecer que a solução autocarro guiado – existente em Adelaide (Austrália) desde 1990, operando actualmente 90 autocarros ou em Cambridge, inaugurada em 2012, com uma extensão de 26 km – é a que melhor satisfaz todas as exigências de operacionalidade e segurança.

Relativamente ao valor considerado necessário para uma operação de qualidade, de uma velocidade máxima de 80 km/h e média de 50 km/h, referido pelo Prof. Álvaro Seco na sessão de Coimbra, tenho dúvidas de que tal possa ser atingido pelo metro ligeiro dado perfil da linha e a quantidade de paragens existente. Devo referir que em Adelaide a velocidade máxima praticada é de 100 km/h.



Quanto à segurança, também referida como um aspecto não testado com autocarros, contraponho com o exemplo de Adelaide e também tenho dúvidas sobre se o modo ferroviário é mais seguro, tendo em consideração os movimentos parasitas que ocorrem, nomeadamente o movimento de lacete.

Como não conheço detalhadamente o perfil vertical e horizontal do canal da Lousã, apenas posso dizer que a solução autocarro guiado deve ser considerada em comparação com outras soluções.



Autor: João Reis Simões, Engº Mecânico, Especialista em Transportes (OE), Membro Conselheiro (OE)


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Comentários
03-04-2016 14:24:48 por Mov Def Ramal da Lousã
Como não conheço detalhadamente o perfil vertical e horizontal do canal da Lousã,...Para saber melhor do que se está a falar, sugerimos ao Sr. Engº ir dar um passeio nos transportes existentes, ditos alternativos, que seguem o traçado do canal. Nessa altura pode aproveitar para recolher a opinião dos utentes sobre os BRTs que lhes foram impostos. Se não tiver essa disponibilidade, sugerimos que leia os comentários na petição eletrónica que reclama a urgente reposição do serviço ferroviário na Ramal da Lousã, aberto à circulação há perto de 110 anos e que tanto contribuiu para o progresso da região e qualidade de vida da sua população. Obrigado.
24-03-2016 15:35:58 por amaro
o Busway é boa alternativa e também o troleicarro moderno até porque Coimbra é a única cidade da Peninsula Ibérica onde há troleicarros, um modo a preservar.
  
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