quinta-feira, 24 de Agosto de 2017

 
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Passageiros & Mobilidade
11-03-2016

Internacionalização das empresas portuguesas do setor dos Transportes: mito ou realidade?
Este artigo baseia-se na perceção de duas pessoas que gostam dos transportes, não tendo por base qualquer estudo científico que, e estranhamente, pensamos não existir, pelo menos que seja do conhecimento público.

Tendo em conta a importância que a internacionalização tem em todos os setores da atividade económica em Portugal, porque é que este tema ainda não está na ordem do dia das empresas do setor dos transportes em Portugal?

Embora não seja um tema de análise neste artigo, importa referir que a internacionalização de várias empresas estrangeiras tem passado por Portugal, com algum sucesso, existindo uma tendência clara de intensificação.

Conhecendo o mercado existente em Portugal e as suas limitações, não será importante para as empresas do setor que operam em Portugal (nacionais e estrangeiras com base em Portugal) apostar na internacionalização a partir de Portugal? A resposta a esta pergunta tem a ver com a capacidade dos empresários e gestores do setor em detetar e acreditar que existem oportunidades em países terceiros, podendo ser esta uma via fundamental para o seu crescimento e desenvolvimento.

A pergunta com que se deparam os empresários e gestores neste momento deverá ser: “Tendo em conta a evolução do mercado e o perfil do cliente, como será a minha empresa e o setor dos transportes a médio/ longo prazo?”. Uma coisa é certa, será muito mais competitivo e exigente!

Estamos então perante um conjunto de desafios que, para que exista sucesso, deverão ser pensados e planeados desde já. Neste contexto surge a internacionalização como uma porta de saída para um futuro mais sustentável e de maior sucesso.

Da nossa experiência e dos países que conhecemos, podemos dividir o estado de desenvolvimento dos transportes conforme a condição económica do país.
Primeiro temos os países desenvolvidos, onde não existem grandes oportunidades de expansão por serem mercados maduros, embora seja interessante pensar em alianças para operação nesses mercados ou em países terceiros.
 
Depois, temos os países emergentes, alguns deles interessantes para a internacionalização. Estamos a falar de países ricos em recursos naturais, que se encontram em crescimento, normalmente com uma grande população jovem e com um baixo nível de industrialização. Aqui encontram-se países de proximidade como a Argélia e Marrocos e outros como a Colômbia e o Chile. Nestes países existem grandes oportunidades porque estão em curso grandes obras de infraestruturação, existindo já condições para um risco controlado para o investimento. São países interessantes para empresas portuguesas ou com base em Portugal já com alguma dimensão e que se queiram internacionalizar.

Os países em desenvolvimento, onde se incluem os PALOP, são países que necessitam de consolidar a área dos transportes através da melhoria na organização do sistema de transportes e da entrada de novos operadores. O desenvolvimento de cidades como Luanda ou Maputo está altamente condicionado por um sistema de transportes, que necessita de grandes alterações, de forma a contribuir para o desenvolvimento sustentável, económico e social destes países. Apesar de termos vindo a assistir a uma melhoria gradual das condições de vida das populações, nomeadamente nas opções de transporte, estamos ainda num estágio em que, tanto a nível urbano como interurbano, no caso rodoviário, existem oportunidades para a implantação de novas empresas ou de parcerias com empresas locais. Esta é uma realidade que se alarga aos modos ferroviário, fluvial, marítimo e aéreo.

Existe, por parte das autoridades e dos operadores desses países, uma sensibilidade cada vez maior para a importância do setor dos transportes para a coesão nacional e desenvolvimento sustentável das cidades, bem como para a dinamização do turismo.

É neste contexto que os operadores de pequena/média dimensão podem ter ações de prospeção por forma a detetarem oportunidades nestes países ou noutros de condições semelhantes.

Tendo em conta a nossa experiência de terreno nesses países, bem como o contacto já efetuado com as autoridades e operadores, detetamos uma grande disponibilidade destes em acolher parceiros estrangeiros que queiram participar e investir em projetos locais.

Importa referir que a especificidade destes mercados é bastante diferente da existente em Portugal ou em qualquer outro país ocidental, devendo o investidor/empresário estar consciente da realidade existente ao nível dos aspetos políticos, económicos e sociais, bem como das infraestruturas e mão de obra existentes nesses locais.

Um estudo de mercado baseado nas ferramentas estatísticas disponíveis, mas, também, no conhecimento do terreno é fundamental para que não se cometam erros e não se retirem conclusões desajustadas.

Como exemplo para o setor rodoviário temos os serviços de transporte realizados por carrinhas de nove lugares, que nesses países têm 12 ou 15 lugares, e que são apelidadas de “Hiace’s”, “Candongueiros”, “Chapas”, etc. Ao contrário do que se possa julgar à partida, este é um setor com grande sucesso, que adapta a oferta à procura durante o dia de forma dinâmica, perfeitamente adequado às condições africanas, nomeadamente nas grandes cidades. Este setor encontra-se legalizado, sendo dominado predominantemente por pequenas empresas com menos de 20 viaturas. Os motoristas têm um papel importante na manutenção da viatura e na qualidade do serviço, razão pela qual as empresas procuram o envolvimento diário dos mesmos, premiando o seu desempenho com a oferta da viatura ao mesmo no final do período de amortização do veículo.

Nesse sentido, os empresários/investidores que pensem nestes mercados não devem ter em conta apenas os conhecimentos adqui­ridos nos seus países de origem, mas, também, as caraterísticas e condições dos países recetores.

A internacionalização pode então ser uma via para que as empresas portuguesas do setor dos transportes não se tornem todas parte de grandes grupos económicos, mas que se transformem elas mesmas em grupos económicos. Poderá ainda permitir que os colaboradores dos grandes grupos a operar em Portugal tenham oportunidade de crescer também noutros países, ocupando lugares de destaque.

Herculano Caetano e José Vara
in TR 152 - outubro/novembro 2015
 
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