quinta-feira, 23 de Março de 2017

 
Reta
Passageiros & Mobilidade
10-03-2016

Pedro Mourisca – CEO da Via Verde
“Quando se pensa em mobilidade, queremos que se pense em Via Verde”
O Grupo Brisa, através da Via Verde, tem como objetivo passar da era das infraestruturas para a da mobilidade, passando a disponibilizar um conjunto de serviços na área dos transportes coletivos ou partilhados. Em desenvolvimento está uma aplicação que permite o pagamento de estacionamento de superfície, táxis ou transportes públicos. O primeiro projeto-piloto irá surgir já no final deste ano, no Porto, e será implementado nos STCP e no Metro do Porto.




Efetuar o pagamento de estacionamento de superfície, de serviços de táxi ou de transportes públicos recorrendo a uma aplicação (app) da Via Verde vai passar a ser possível com a introdução de uma novo leque de serviços que serão disponibilizados a curto prazo pela subsidiária do Grupo Brisa. A nova visão estratégica da empresa vai traduzir-se numa nova abordagem ao mercado que implica uma mudança da era das infraestruturas para a da mobilidade.

A nova visão estratégica da Via Verde Mobilidade foi apresentada no 9.º Encontro da Transportes em Revista, que decorreu em Lisboa, nos passados dias 25 e 26 de junho. Em declarações à Transportes em Revista, o CEO da Via Verde, Pedro Mourisca, refere que «concluída a rede de autoestradas em território nacional, passamos agora para uma fase onde nos devemos aproximar das pessoas», adiantando que «a Via Verde é o veículo natural para que isso aconteça porque tem um conhecimento tecnológico muito vasto e sobretudo um conhecimento das pessoas». O responsável acrescenta que «num conceito alargado de mobilidade, sobretudo urbana, onde tendencialmente haverá uma menor dependência dos automóveis e uma maior intermodalidade, a Via Verde é o veículo fundamental para que as pessoas entrem nas cidades com os seus veículos, deixando-os nas entradas das mesmas, e depois possam recorrer à Via Verde para utilizar outros tipos de transportes coletivos ou partilhados. Quando se pensa em Mobilidade queremos que se pense em Via Verde. Temos todas as ferramentas e conhecimento tecnológico para o fazer».

O novo posicionamento implica um salto tecnológico para fora da “caixa” (identificador clássico) e do veículo. Nos novos serviços a serem disponibilizados pela Via Verde, o cliente terá um equipamento Via Verde e uma app associada no seu smart­phone. Contudo, o identificador não será necessário para os clientes que não tenham o serviço base tradicional do veículo. «Um cliente que opte apenas pela utilização de transportes públicos não necessitará de identificador», afirma Pedro Mourisca. «Poderemos ter clientes Via Verde que utilizem apenas a app», salienta. «A partir do momento em que assumimos esta missão devemos disponibilizar a Via Verde a quem não tenha um serviço base tradicional do veículo com identificador», adianta o responsável. «O identificador deixará de ser aquele que atualmente está instalado no veículo (ou poderá continuar a ser) e será complementado por uma app para dispositivos móveis», continua, admitindo que, a médio prazo, o equipamento tradicional poderá mesmo desaparecer. «No futuro, sabemos que o aparelho terá uma vida finita», salienta o CEO da Via Verde. «Não será nos próximos cinco anos, mas já estamos a preparar essa transição».



Para os clientes, a nova aplicação facilita a mobilidade, uma vez que dispensa bilheteiras e moedas, não apresenta custos e é universal, pois é a mesma para todas as necessidades de mobilidade.

Uma das particularidades deste novo serviço é a possibilidade de ser utilizado por clientes individuais, empresariais ou por famílias.

Todas as transações são reunidas numa mesma fatura, o que permite uma gestão conjunta da mobilidade e sem preocupações com o pagamento.

Para os operadores de mobilidade, esta solução estará disponível em todo o país, contando com uma carteira de três milhões de clientes e uma rede de atendimento, garantindo o pós-pagamento dos serviços utilizados.


Estacionamento de rua
No âmbito da evolução dos serviços da Via Verde encontra-se a possibilidade de pagamento do estacionamento de superfície com recurso à aplicação para dispositivo móvel desenvolvida pela empresa. Esta solução oferece todas as vantagens do serviço já existente nos parques de estacionamento fechados e dispensa o pagamento com moedas nos parquímetros tradicionais. O cliente Via Verde estaciona a viatura, podendo prolongar ou terminar o estacionamento com a app. Como se trata de um pós-carregamento, a utilização deste serviço será faturado na conta Via Verde.
Para a implementação do projeto-piloto de estacionamento de rua foi estabelecida uma parceria com a Empark, que deverá arrancar em agosto ou setembro deste ano. Além disso, a Via Verde está em negociações com algumas autarquias para disponibilizar este projeto de estacionamento pós-pago de rua.


Transportes públicos
Numa fase mais avançada está o projeto que possibilita a utilização de transportes públicos por um cliente app Via Verde. A solução, que está a ser desenvolvida, prevê o planeamento da viagem em transportes públicos e o seu pagamento. A aplicação ajuda a planear rotas e a escolher os transportes a utilizar. Seguidamente, o utilizador inicia a viagem com a app, acompanha o trajeto e, no final, encerra a sessão, sendo então gerada uma transação no Sistema Central da Via Verde. No final do mês, o cliente recebe a fatura com toda a informação integrada.

O projeto-piloto de transporte coletivo deverá ser implementado na cidade do Porto, no final do ano, e será realizado ao abrigo de uma parceria com a FEUP (Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto), a Novabase, a STCP e a Metro do Porto. «O projeto arrancará como um teste-piloto puramente técnico, devendo ter início o teste-piloto comercial no final do ano», afirma o CEO da Via Verde, Pedro Mourisca.


Táxis
A solução tecnológica desenvolvida pela Via Verde também será possível utilizar nos táxis, permitindo a chamada do veículo e o pagamento do serviço. «Como procuramos estar junto da indústria nacional, a nossa principal dificuldade não é ter a aplicação tecnológica, mas sim convencer a indústria a dar este ‘salto’ qualitativo, que é inevitável», confessa Pedro Mourisca, argumentando que «cada vez mais, os clientes de táxis vão pedir este tipo de aplicações» porque permitem melhorar a qualidade do serviço. O cliente utiliza a app para chamar o táxi, sendo o pedido enviado para a central de táxis, que depois o reencaminha para o taxista, dando assim início à viagem. No final da mesma, o cliente valida o pagamento na app, sendo gerada uma transação no Sistema Central da Via Verde. O pagamento do serviço será efetuado através da conta Via Verde. Esta modalidade permite massificar os pagamentos eletrónicos, aumenta a segurança porque evita trocas de dinheiro físico e possibilita a gestão da qualidade do serviço e das viaturas.

«Atualmente, o setor do táxi tem várias ameaças ao seu negócio, caso, por exemplo, de serviços como a Uber ou os tuk-tuk, entre outros. O negócio tem vindo a diminuir», refere o CEO da Via Verde. «Com a nossa carteira de três milhões de clientes temos a capacidade de ajudar a estancar a diminuição na procura dos serviços de táxis. A nossa aplicação, por outro lado, simplifica as trocas de dinheiros e o seu controlo», explica Pedro Mourisca, adiantando que a Via Verde irá disponibilizar este serviço através das centrais de táxis, que manterão a sua atividade e a sua relação com os associados. «Essa é uma grande diferença face ao posicionamento de outros players do mercado», adianta Pedro Mourisca. «Queremos estar ao lado da indústria nacional e estamos em conversações com as principais centrais de táxis do país». Segundo o responsável, essas conversações ainda estão numa fase inicial e existe abertura por parte dos operadores, estando já a decorrer discussões de natureza tecnológica, designadamente ao nível da compatibilidade de sistemas. «Estou muito otimista», adianta o CEO da Via Verde. «Assim que estejamos confortáveis com o modelo, estou convencido de que a implementação poderá ser mais rápida do que noutros tipos de serviços. Quando integrarmos a nossa solução numa central de táxis teremos logo acesso a uma rede muito grande de taxistas». No que se refere à implementação deste projeto no setor dos táxis, o responsável da Via Verde aponta a sua entrada em funcionamento para o início de 2016.

Carlos Moura Pedro
in TR 148 - junho/julho 2015

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