segunda-feira, 9 de Dezembro de 2019

 

 
 
 
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Passageiros & Mobilidade
11-04-2012

Transporte flexível
O caminho para a coesão e eficiência
Com provas dadas no terreno, o transporte flexível começa a dar os primeiros passos em Portugal. A solução é defendida pelos especialistas europeus, que lhe atribuem um papel primordial na procura da coesão social e na otimização da rede de transportes e dos custos a ela inerentes. Por cá, o Governo anunciou a criação de um sistema destes, mas, até agora, nada foi feito...

No setor dos transportes, as mais recentes medidas do Governo vão no sentido dos cortes. Anunciados no Plano Estratégico de Transportes (PET), começavam pela redução da despesa das empresas do setor empresarial do Estado e pelo corte da maioria dos investimentos. O PET anunciou, de imediato, a descontinuação e desativação de 622,7 quilómetros de linhas ferroviárias devido à baixa procura. Entretanto, toda a oferta de Lisboa e Porto foi reequacionada. Em fevereiro, a Carris avançou com um ajustamento na rede que se traduz, já em março, em alterações em 23 carreiras ou troços de carreiras e quatro supressões. Já a 22 de fevereiro, o Grupo Transtejo revelou a supressão de 55 ligações semanais entre as duas margens do rio Tejo... A oferta parece ser cada vez mais reduzida, num contexto de crise em que as pessoas procuram soluções mais económicas do que o transporte individual e perante uma meta europeia de duplicar a utilização do transporte público. O momento é o ideal para seduzir os passageiros... Mas estará esta oportunidade a ser aproveitada? Ou pelo contrário, a solução de mobilidade passa cada vez mais pelo automóvel?

Os primeiros indicadores do ano apontam para quebras na ordem dos seis por cento na procura de transportes públicos. As pessoas adotam novas formas de mobilidade e, mais uma vez, o automóvel parece estar a ganhar a batalha. Mas, se alguns têm esta possibilidade, por Portugal fora muitos são os que não têm carro e ficam à mercê de uma oferta de transportes residual ou da disponibilidade de amigos e familiares com automóvel para fazerem as suas atividades. Ir a uma consulta médica, levantar uma carta nos correios, passar no banco ou até mesmo ir à mercearia são tarefas do quotidiano de que muitos parecem afastados. Em muitos casos, a própria possibilidade de ter um emprego ou a participação na vida social e cívica são possibilidades quase utópicas.
 

Os casos mais dramáticos estão claramente relacionados com as áreas rurais, dispersas no território, com uma orografia complicada, abandonadas e envelhecidas e onde a procura não justifica, na maioria das vezes, um transporte regular. No entanto, esta é também uma realidade bem conhecida das pessoas que residem em zonas suburbanas, onde a oferta de transportes existente não é suficiente para dar resposta às necessidades de mobilidade de uma população cada vez mais ativa.

No PET, o Governo assume como uma das suas missões “Assegurar a mobilidade e acessibilidade de pessoas e bens, de forma eficiente e adequada às necessidades, promovendo a coesão social”. Tendo isso em conta, e já esperando minimizar os impactos da redução da oferta de transportes públicos, apresentava como solução a criação de um sistema de transportes flexíveis. No número 5.9.2 lê-se que, “embora nos últimos anos tenham sido registadas claras melhorias, em termos de infraestruturas, cobertura geográfica e horária, o transporte público convencional, regular ou individual, não tem alcançado uma resposta satisfatória às particularidades da baixa procura associada a povoamentos rarefeitos ou disseminados, a períodos específicos e à baixa procura decorrente da diversidade de deslocações no tempo e no espaço que correspondem a situações que reclamam, cada vez mais, soluções específicas de transporte”. Por esse motivo, considera-se que “a implementação de soluções inovadoras e que já se encontram implantadas com sucesso há vários anos noutros países Europeus, que permitam responder às necessidades de mobilidade de procuras e territórios específicos, através de serviços de transporte público flexível, isto é, serviços com itinerários, paragens e/ou horários variáveis em, pelo menos numa destas dimensões e utilizadores de diferentes tipos de veículos, é crucial para a promoção da mobilidade e da coesão territorial do país”. Até porque, segundo o documento que dita as linhas de atuação do Governo no setor dos transportes para o horizonte 2011-2015, “os serviços de transporte público com oferta flexível permitem assegurar a mobilidade a todas as pessoas e a um custo sustentável, permitindo a obtenção de ganhos de eficiência assim como a eliminação de redundâncias na oferta”.
 

Em entrevista à Transportes em Revista, o secretário de Estados dos Transportes (SET), Sérgio Monteiro, afirmava que «perante o acréscimo dos impostos sobre o automóvel (imposto de circulação) e a contração do próprio PIB, temos consciência de que o serviço público vai ser, por excelência, a principal forma de mobilidade nas zonas urbanas» Nesse sentido, revelava ser «muito importante a resposta que procuramos com a organização do serviço público por parte das comunidades intermunicipais e a pista que damos sobre o serviço público “on demand” (transporte flexível). Julgo que esses dois aspetos assegurarão uma boa mobilidade, quer no horário de ponta, quer nas horas menos preenchidas (onde os táxis também poderão ser incluídos numa bolsa de oferta) e tanto nas zonas urbanas, como nas rurais (onde o transporte escolar é utilizado para movimentar doentes, idosos). Necessitamos de segmentar o transporte porque as necessidades são diferentes». Mas, praticamente seis meses volvidos, ainda não foram apresentadas quaisquer ideias sobre o serviço… E a “pista” que foi dada caiu no esquecimento…. Mas deveria?





O papel do transporte flexível

Sem regras estritas e fixas, o transporte flexível pretende «dar uma escolha às pessoas», explica John Nelson, Professor da Universidade de Aberdeen, Reino Unido. «Trata-se de permitir que as pessoas escolham entre ficar em casa ou sair, ou entre fazer o uso do carro ou não», explicou o especialista em entrevista à Transportes em Revista. Segundo refere, o transporte flexível, que pode assumir diversas formas, desempenha papéis diferentes nos perímetros urbanos e nas áreas rurais, embora, no fim, trate-se sempre de garantir a coesão, a igualdade no acesso aos direitos e a integração de todos de igual forma na sociedade. É uma resposta para uma questão social, de saúde e economia.

Nas áreas rurais, estão, por demais, latentes. Áreas dotadas ao abandono pela imposição de uma economia virada para os serviços, centrados nas grandes cidades, caraterizam-se pela sua população envelhecida, muitas vezes já com dificuldades de motorização e sem apoio familiar. Para irem a uma consulta, ou até comprar medicamentos e bens alimentares, estão dependentes do transporte proporcionado por outros. Depois, encontramos as crianças e os jovens, que apesar de terem o acesso garantido à escola pelo transporte escolar, vêem-se depois impedidos de participar nas atividades típicas desta faixa etária, seja ir ao cinema, a um centro comercial ou apenas beber um café com os amigos. O afastamento torna-se cada vez mais eminente com a proximidade da idade adulta e da procura de emprego, altura em que ou acabam por adquirir um automóvel para poderem participar na sociedade, ou acabam por abandonar estas áreas, deixando-as cada vez mais ao abandono. Os homens solteiros com idades entre
por: Andreia Amaral
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Comentários
19-04-2012 12:52:10 por Eric
Parabéns à TR, e em especial à Andreia Amaral, por este artigo 5
  
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