quarta-feira, 27 de Março de 2019

 
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Passageiros & Mobilidade
07-10-2010
Jorge Carrilho – administrador da Inosat 
“Mercado externo vai representar 30 por cento em 2010” 
Líder em soluções de localização de veículos e pessoas, e gestão de frotas, a Inosat comemora este ano o seu décimo aniversário. Ultrapassada a fase inicial de dificuldade de implantação de uma tecnologia que na altura era inovadora entre nós, a empresa tem vindo a crescer consistentemente e apostou no mercado externo, estando já presente em países como Angola, Brasil ou Espanha.


Fundada em Janeiro de 2000 por uma equipa de profissionais com mais de 15 anos de experiência no sector da telemática, a Inosat é uma empresa portuguesa especializada no desenvolvimento, produção e comercialização de produtos, na área de localização de veículos, de pessoas, de objectos e na gestão de frotas. Actualmente é líder de mercado em Portugal e em Espanha, com mais de 2.500 clientes, que possuem mais de 40 mil unidades instaladas em veículos.
No domínio dos transportes, que representa cerca de 30 por cento do volume de negócios, a empresa disponibiliza dois produtos, Inofrota e Inofrota Navigator. O primeiro está disponível em três níveis de serviço: Start, Trace, Pro. A diferença reside na quantidade de informação transmitida do veículo para o sistema e a actualização da mesma, assim como o nível de relatórios que estão disponíveis para o utilizador, desde dois no Start até 47 no Pro. O Inofrota Navigator alia um sistema de navegação com um outro de gestão de tarefas, que inclui planeamento de rotas.

Especificamente para operações ligadas ao transporte de produtos sob temperatura controlada ou para semi-reboques, a Inosat desenvolveu produtos específicos, caso do InoFrio ou InoTrailer, respectivamente. Existe ainda uma outra opção que fornece alertas caso se ultrapasse o número de horas de condução legal.
Embora muitos fabricantes de veículos comerciais, nomeadamente camiões, já disponibilizem os sistemas próprios de gestão de frotas, caso do Telematics da DAF, TeleMatics da MAN, Fleetboard da Mercedes-Benz, Infomax da Renault Trucks, Interactor da Scania, Dynafleet da Volvo, o CEO da Inosat, Jorge Carrilho, defende que esses sistemas representam um «custo superior» para um operador de transportes, que normalmente tem mais do que uma marca na sua frota. «Mesmo que instalasse sistemas das próprias marcas em todos os veículos, o cliente iria ter sistemas diferentes. Os resultados obtidos não são os mesmos nem podem ser comparados», argumenta. «Se a opção recair num sistema que não seja de um construtor de veículos, consegue-se uniformizar o sistema, além do custo ser três vezes inferior. Além disso, muitas vezes, as marcas não têm o mesmo tipo de sensores e de software que nós temos», acrescenta o responsável. «A Inosat tem um sistema que, além da função de navegação, permite a gestão dos fretes, que não está disponível nos sistemas das marcas».

O responsável da Inosat refere que alguns clientes optaram por sistemas das marcas e agora «estão a voltar porque chegaram à conclusão que não era compatível para toda a frota e também pelo custo mais elevado».
Após uma década de presença no mercado e ultrapassadas as dificuldades iniciais de implementação de uma tecnologia inovadora e olhada com desconfiança pelos potenciais clientes, a Inosat tem vindo a alcançar os seus objectivos. «Desde 2003, a empresa tem obtido resultados positivos, o que é bastante bom atendendo às crises que passámos, 2003-2004 e 2006-2009», refere Jorge Carrilho. «Apesar de uma ligeira quebra de facturação no ano passado conseguimos conquistar novos mercados, nomeadamente Angola e Brasil. Aumentámos as exportações. Houve um combate à crise através de dois eixos: lançamento de novos produtos, quer na área da gestão de frotas quer na do consumo; e internacionalização. Conseguimos passar de nove por cento da facturação oriunda da exportação em 2008 para cerca de 20 por cento em 2009. Este ano estimamos ultrapassar os 30 por cento».
O produto mais procurado é o Inosat Trace, que permite fazer a localização e uma gestão de frotas mais básica, que inclui relatórios como o histórico, rota percorrida, número de viagens efectuadas e quilómetros realizados. O segundo produto mais vendido é o Inosat Navigator, sobretudo para a área da distribuição alimentar porque possibilita a optimização das rotas. Este sistema pode ser combinado com sensores de frio instalados nas câmaras frigoríficas dos veículos, para garantir que a cadeia de frio não é quebrada, além de uma rota optimizada.



Tecnologia própria

A tecnologia utilizada pela Inosat é desenvolvida internamente, uma opção estratégica da empresa que, segundo o entrevistado, permite um «maior controlo sobre a mesma que possibilita ganhar certo tipo de negócios ou entrar nalguns “nichos” de mercado». «Se utilizasse um produto chinês ou alemão, poderia ter um preço semelhante ao actual ou ligeiramente inferior, mas depois se quisesse fazer qualquer tipo de alteração, por mais pequena que fosse estava dependente da disponibilidade ou boa vontade do fornecedor. Isso iria invalidar entrar naquele “nicho” de mercado», refere Jorge Carrilho. A qualidade do produto é outro factor apontado pelo administrador da Inosat. «Já tivemos em testes equipamentos fabricados noutros países que não passaram os nossos padrões de qualidade. Por outro lado, se surgirem problemas com os nossos equipamentos e como temos o domínio da tecnologia, temos condições para os procurar resolver».
Para pesquisa e desenvolvimento de soluções tecnológicas próprias – hardware e software –, a Inosat conta com uma equipa de 15 pessoas, maior engenheiros electrotécnicos ou engenheiros informáticos.
Em termos de instalação de equipamentos e assistência, esta é prestada localmente e nas instalações dos clientes.
Para 2010, uma das apostas em termos de produto passa pela possibilidade do sistema Inosat Navigator ter um interface com o tacógrafo digital que possibilitará a importação dos dados recolhidos por aquele equipamento.
Entretanto, a Inosat lançou um periférico que permite ler os cartões sem contacto que muitas empresas já têm para identificação dos funcionários. Neste caso, o sistema permitirá aos grandes frotistas identificar os motoristas quando eles iniciam a marcha com um veículo.


Para os veículos ligeiros e à semelhança do que já existe para os pesados, a vai introduzir um outro periférico que consiste num interface “CAN-Bus”. «Trata-se de uma solução “low cost”, que retira menos variáveis do que as mais de 300 num veículo pesado, mas ainda assim disponibiliza as mais significativas como o regime de rotação do motor, o consumo instantâneo e médio, velocidade, quilómetros», refere Jorge Carrilho.
A Inosat está a investir na formação “online” para possibilitar uma melhoria na utilização do seu sistema, uma situação que não se estava a verificar, de acordo com um estudo efectuado pela empresa. A Inosat está ainda a estudar a possibilidade de interligação e integração da sua solução em sistemas ERP (Enterprise Resource Planning). «Isto vai permitir à aplicação de gestão de negócio ter acesso aos dados recolhidos da viatura em tempo real», salienta o administrador da empresa.

«Mercado brasileiro é surpreendente»

A Inosat opera já em três continentes em países como Angola, Argélia, Brasil, Espanha, França, Grécia, Marrocos, Moçambique. No mercado brasileiro, a empresa portuguesa está presente há mais de um ano em associação com um parceiro local. «O Brasil é um mercado surpreendente», afirma Jorge Carrilho. «Em termos burocráticos e alfandegários é complicado entrar», adianta. «Entre negociações com o nosso parceiro local, que é exigente, e aprovações legais, o processo demorou um ano. As autoridades brasileiras obrigam à homologação de todos os equipamentos, havendo alguma dificuldade na importação de alguns componentes, caso, por exemplo, das baterias. Além disso, a carga fiscal sobre as importações atinge os 80 por cento», adianta o responsável da Inosat.



 
Por outro lado, o mercado brasileiro constitui uma excelente oportunidade para o segmento de sistemas de gestão de frotas, uma vez que tradicionalmente tem apostado no vector da segurança. «Quando chegámos ao Brasil tivemos a agradável surpresa de verificar que os nossos principais concorrentes estavam tecnologicamente muito atrasados no domínio dos sistemas de gestão de frotas», refere Jorge Carrilho. «Para os transportadores, o problema não era gerir a frota, mas proteger a carga. Por exemplo, os camiões dispõem de trancas electrónicas que só abrem as portas após a recepção de um comando enviado pela central. Além disso, todos os veículos têm de estar equipados com localizador de veículos para terem seguro. Como consequência, as plataformas existentes não ofereciam muitas das funcionalidades do nosso sistema e em muitos casos nem sequer dispunham de interfaces para os utilizadores. Quando se queria conhecer a localização de um veículo ligava-se para uma central de atendimento. Numa houve uma plataforma online, que fornecesse relatórios, alarmes, etc. Assim, nos quatro concursos em que participámos para o fornecimento de sistemas de gestão de frotas, ganhámos todos».

O administrador da Inosat acrescenta que a operação comercial no Brasil «está a correr bem».
Outra aposta da empresa consiste no mercado angolano, que apresenta características especiais. «Surpreendentemente, a nível burocrático e de alfândegas é menos complicado do que o Brasil. Só que é um mercado de altos e baixos. No final do ano passado houve falta de divisas e não se conseguiam fazer importações. Depois veio o Campeonato Africano de Futebol e nada se decidia. Agora está a retomar a normalidade».

Texto: Carlos Moura Pedro
Tags: Inofrota   INOSAT   Navigator  
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